Surrealismo e a moda

O movimento surrealista teve inicio no começo do século XX, em Paris, com origem nas teses de Sigmund Freud (6 de maio de 1856 – 23 de setembro de 1939), criador da Psicanálise e, também, graças ao contexto político indefinido que marcou este período, especialmente durante os anos dourados, ou seja, a década de 20.

O Surrealismo protestava as crenças culturais europeias da época, assim como discordava da postura humana, colocando-a como vulnerável defronte a uma realidade cada vez mais complexa de compreender e dominar.

Os surrealistas resvalam pelas águas fascinantes da irrealidade, desprezando o concreto e imergindo na esfera abstrata e de liberdade de expressão. Esses artistas anseiam alcançar o espaço no qual o homem se libera de toda a contenção exercida pela razão, escapando assim do controle constante do Ego.

O Surrealismo – expressão que foi apresentada inicialmente pelo poeta cubista Guillaume Apolinaire, em 1917 – contava com nomes famosos como os de Max Ernst (2 de abril de 1891 – 1 de abril de 1976), René Magritte (21 de novembro de 1898 – 15 de agosto de 1967)  e Salvador Dalí (11 de maio de 1904 – 23 de janeiro de 1989), nas artes plásticas; André Breton (19 de fevereiro de 1896 – 28 de setembro de 1966), no campo da literatura; e Luis Buñuel (22 de fevereiro de 1900 – 29 de julho de 1983), no cinema.

Salvador Dalí é um grande nome do Surrealismo e seu quadro "Persistência da Memória" (1931) é um dos mais conhecidos desse gênero. Fonte: Info Escola

Salvador Dalí é um grande nome do Surrealismo e seu quadro “Persistência da Memória” (1931) é um dos mais conhecidos desse gênero. Fonte: Info Escola

Na moda, o Surrealismo teve um grande impacto.

Tanto na moda quanto para o surrealismo, o manequim representava a mulher como objeto, edificada e manuseada, violando as fronteiras do que era vivo e do que não era. Tinham como objetivo romper com as vestimentas tradicionais, e o corpo modelado.

Apesar da misoginia subentendida em boa parte da produção surrealista, é exatamente no trabalho de Elsa Schiparelli (1890 – 1973) que se quebra tal particularidade. A estilista trabalhava com a construção de elementos que se tornaram mais significativos e complexos ao participar da construção da indumentária feminina e sua receptividade com o ornamento.

Elsa Schiaparelli, estilista francesa nascida na Itália, recebeu e disseminou grande influência do movimento surrealista na moda. Fonte: Ver Mais Design

Elsa Schiaparelli, estilista francesa nascida na Itália, recebeu e disseminou grande influência do movimento surrealista na moda. Fonte: Ver Mais Design

Podemos ver toques de surrealismo no Street Style, principalmente na época da Fashion Week. Suzy Menkes, jornalista do New York Times, considerou esse boom surrealista nas ruas como um circo de moda ou, como ela colocou em seu texto para o jornal, “um show de horrores”.

Suzy Menkes, jornalista do New York Times, considerou as últimas Fashion Week como um verdadeiro show de horrores. O surrealismo de algumas peças foram motivo de chacota, enquanto outros foram considerados elegantes. Fonte: Blog Entenda os Homens

Suzy Menkes, jornalista do New York Times, considerou as últimas Fashion Week como um verdadeiro show de horrores. O surrealismo de algumas peças foram motivo de chacota, enquanto outros foram considerados elegantes. Fonte: Blog Entenda os Homens

Outra estilista que tem seu nome firmado no movimento surrealista da moda é Manon Kündig. Nascida na Suíça e com formação na consagrada Escola de Belas Artes da Antuérpia, na Bélgica, a artista parece não se importar muito com a moda comercial como a conhecemos.

Ela gosta de exageros, cores, texturas e estampas. Já ganhou diversos prêmios, trabalhou com marcas como Hermès e, como ela própria coloca, “não estou interessada em moda e tendências, prefiro apreciar o corpo humano e trabalhar em torno dele”. Um trabalho fascinantemente abstrato, que te faz imaginar o porquê de tamanha loucura e, logo em seguida, te mostra que é algo que poderia muito bem sair da sua própria mente.

O grande Alexander McQueen disse: "A moda deve ser uma forma de escapismo, e não uma forma de prisão". Essa frase se encaixa, perfeitamente, no trabalho da artista Manon Kündig e suas peças inspiradas em colagens. Fonte: Escola de Criação

O grande Alexander McQueen disse: “A moda deve ser uma forma de escapismo, e não uma forma de prisão”. Essa frase se encaixa, perfeitamente, no trabalho da artista Manon Kündig e suas peças inspiradas em colagens. Fonte: Escola de Criação

Postado por: Taany Maeno Silva

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